Carta de Notificação | Patriarcado de Lisboa

 


DOM LUIZ HENRIQUE, CARDEAL PAROLIM
POR MERCÊ DE DEUS E DA SÉ APOSTÓLICA
PATRIARCA DE LISBOA

CARTA DE NOTIFICAÇÃO
Pe. Vinicius Monteiro, Pe. Andre e Pe. João Santos Luciani

Aos Reverendíssimos Padres Vinicius Monteiro, Andre e João Santos Luciani  e a todos que desta carta ler ou tomarem conhecimento, saudações fraternas em Cristo Jesus.

Meus estimados filhos no sacerdócio,


Escrevo-vos com o coração pesado. Confesso que jamais desejei dirigir uma carta nestes termos àqueles que receberam, pela imposição das mãos, a missão de servir ao Senhor e à sua Igreja. Muito me entristece que as circunstâncias me obriguem a fazê-lo.


Desde o início do meu ministério como Patriarca de Lisboa, procurei exercer a autoridade que me foi confiada não com rigor excessivo, mas com espírito de pai, disposto sempre ao diálogo, à correção fraterna e à misericórdia. Todavia, um pastor que se cala diante da desobediência deixa de cumprir o dever que lhe foi confiado por Cristo.


Chegou ao meu conhecimento que determinações legitimamente promulgadas por esta Autoridade Patriarcal, especialmente aquelas contidas no Decreto de Regulamentação dos Critérios para a Celebração dos Sacramentos, (Acesse Aqui) não têm sido observadas com a fidelidade e a obediência que delas se espera. Tal realidade não pode ser ignorada, tampouco relativizada.


A disciplina da Igreja não é fruto da vontade de um homem, mas instrumento indispensável para garantir a unidade do Corpo de Cristo. Quando um sacerdote decide agir segundo critérios próprios, colocando o seu entendimento acima da determinação da Igreja, não fere apenas uma norma administrativa: enfraquece a comunhão e causa escândalo aos fiéis que lhe foram confiados.


É justamente por amar esta Igreja e por reconhecer o valor do ministério que cada um de vós exerce que não posso permanecer em silêncio.


Por meio desta Carta, NOTIFICO-VOS FORMALMENTE de que o Decreto de Regulamentação dos Critérios para a Celebração dos Sacramentos deverá ser observado integralmente, sem exceções, adaptações particulares ou interpretações pessoais que contrariem aquilo que foi legitimamente estabelecido.


Exorto-vos a uma imediata revisão de vossas práticas pastorais, adequando-as às normas vigentes e restaurando, por meio da obediência, a plena comunhão com esta Igreja Particular.


Entretanto, devo igualmente advertir-vos de que a persistência em eventual desobediência ou o descumprimento deliberado das determinações patriarcais obrigar-me-á, ainda que contra a minha vontade, a adotar as medidas disciplinares e canônicas cabíveis, inclusive a revisão das licenças ministeriais, da autorização para a celebração dos Sacramentos e de outros encargos e ofícios eclesiásticos confiados por esta Autoridade Patriarcal.


Crede-me: estas palavras não nascem da severidade de um superior, mas da dor de um pai espiritual. Sofro por ter de advertir aqueles que deveria apenas incentivar e apoiar. Contudo, seria uma grave omissão de minha parte permitir que a disciplina da Igreja fosse comprometida sem qualquer intervenção.


Ainda espero, sinceramente, que esta Notificação produza o fruto da comunhão, da humildade e da obediência. Não desejo aplicar sanções; desejo apenas reencontrar em cada um de vós a fidelidade prometida no dia da ordenação, quando livremente assumistes o compromisso de servir à Igreja com reverência e obediência.


Recebei esta Carta não como uma condenação, mas como um último apelo de vosso Patriarca antes que medidas disciplinares se façam necessárias.


Invoco sobre vós a proteção da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, para que vos conduza novamente ao caminho da plena comunhão e da fidelidade eclesial.


Lisboa 17 de Julho de 2026


† DOM LUIZ HENRIQUE, CARDEAL PAROLIM

Patriarca de Lisboa




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